Depois de anos de espera, boatos e quase confirmações, o Radiohead veio para o Brasil. E bem na hora que eu ia até a Europa.
Sacanagem.
Não tive outra opção: desviei parte dos recursos suados e destinados a vida apertada no velho continente para essa viagem em SP.
Mesmo com algumas Guiness a menos em Londres, posso dizer que valeu a pena. O que era óbvio.
Não faço o tipo fã. Mais ou menos nunca idolatrei algo e não é o caso com a banda inglesa. Acho o grupo excelente, mas não sei a ordem das músicas do OK Computer ao contrário (tá bem, sei, mas vocês entenderam).
Só que Radiohead tá no meu TOP 5 e é uma das maiores bandas em atividade.
Dito isto, algumas considerações:
O show foi na Chácara do Jockey, o que, antes de chegar até lá, para mim soava como “longe pra cacete”. Achei que seria torturante a ida, só que me enganei. Caminhada de quinze minutos até a parada, duas pessoas com uma camiseta igual a minha no bus e meia hora depois, já estava no local.
Existia um medo: meu ingresso era de retirar na bilheteria. Eu sou muito tenso com ingresso na mão, fico conferindo toda hora para ver se ele não se desintegrou em meu bolso. Então, imagina sem.
Tudo OK. A shu já estava lá com ele bem bunitu :D Isso era quase três da tarde. Estava muito mais vazio do que imaginava. Era só entrar. Mas resolvemos ignorar os trinta mil ingressos vendidos, fomos blasé e ficamos lá fora.
(um cachorro, meio churrasquinho (dividido com o love), uma soda, alguns encontros ao acaso)
Ao entrar na chácara, uma das primeiras coisas que me chamou atenção é que não havia caixas de som além das do palco. Má novidade.
No Rio, houve muita reclamação sobre o som do Los Hermanos. O Medina explicou no seu blog que foi imposição da produção, pois eles eram banda de abertura. Aí caguei.
O clima tava para tempestade.
O vendedor de capas de chuva desesperado ameaçou na fila: “seis e meia vai chover”.
Eu não gosto de festivais. Muito menos do tipo do Just a Fest - a fórmula banda de abertura+show principal.
Além disso, já vi uns trocentos shows dos Hermanos e Kraftwerk não parecia ser algo divertido de ouvir em pé, esmagado e com as pernas doendo.
Ou seja: eu tava nem aí para essas duas bandas.
Era o “retorno” da banda, depois de anunciarem uma pausa inderteminada. Dizem por aí que chamaram eles para vender mais ingressos, dizem eles que o som foi avacalhado pela produção.
No início pontual do show, havia poucas pessoas pela Chácara do Jockey. E, realmente, fizeram bons esforços para ofuscar a banda. Além de som baixo (eu ouvia as pessoas cantando ao meu lado, não a voz dos cariocas), não houve nenhum efeito de luz. Apenas uma iluminação branca no palco durante toda apresentação. Só no párapápá do final de “Vencedor” que deram uma canja, fazendo o clássico estouro de luz na platéia durante a parada esperta.
Isso é uma extrema falta de respeito, com a banda e com o público. Show para festival tem que ter cara de festival, ser grandioso.
O palco era extremamente baixo. Sou um cara alto, estava nem a 200m da grade e se me esticasse, eu enxergava bem mais ou menos. Torci para que fosse mais uma avacalhação com as bandas “menores” e que existisse uma megaestrutura e que o palco subisse no show principal.
(não subiu)
Não sei se foi efeito da sacanagem da produção, mas o show foi bem mais morno do que eu esperava. Como li sobre o show no Rio, foi burocrático, não foi digno de show de “volta”. As músicas me pareceram mais lentas, seguradas. O Amarante era o mais animadinho, mas não soou natural ao dizer frases como “Viva a alegria!”.
Eis o setlist (copiado daqui):
01. Todo carnaval tem seu fim
02. Primeiro andar
03. O vento
04. Além do que se vê
05. Condicional
06. Morena
07. Do sétimo andar
08. A outra
09. Cara estranho
10. Deixa o verão
11. Assim será
12. Cher Antoine
13. O vencedor
14. Retrato para Iá Iá
15. Casa pré-fabricada
16. Último romance
17. Sentimental
18. A flor
O Ventura foi o álbum priorizado, com 8 músicas. Foi um set bem balanceado, entre as animadas e mais lentas.
Vídeos da galera e um da transmissão do multishow:
Nunca ouvi com atenção, conhecia apenas a importância.
Industriais, robôs, papas da música eletrônica - alguma das coisas que já tinha ouvido sobre os alemães. Todas verdadeiras.
Tudo remete a indústria, desde a atmosfera até as poucas letras (man machine, aero dinamik, por aí vai). Nas batidas, sons criados por eles na década de 70 e reconhecíveis em muitas músicas atuais.
O palco, telões e músicas estavam em sintonia, num belo espetáculo visual.
Só que, na hora, foi bem chatinho. Pensando agora, acho que foi um ótimo show, mas novamente, não para assistir num grande festival. Talvez num espaço menor, com som mais alto, o clima seria bem melhor.
Pelo menos, acho que foi o que rendeu as melhores fotos (clique para ir para as fotos originais):
Tá vendo aqueles quatro carinhas na mesma posição em todas fotos acima? Não são robôs, são a banda mesmo. Os robôs se mexem mais, como comprovado na música ‘We Are Robots’, quando os alemães saem do palco e são substituidos por robots que até dançam:
O que me incomoda no show é que eu, confesso, não sei o que os músicos realmente fazem ali no palco. Não sei se rola mixagem, sampleagem, sei lá o termo, ao vivo, ou se é só apertar uns plays.
Imagino um tipo de Guitar Hero nos laptops. Se eles apertarem o botão certo, da cor certa e na hora certa, o show sai direitinho ;p
O momento que eles saem do palco e entram os robôs e segue a música… dá a entender que não precisa deles por ali.
O set (tirado daqui tb):
1. ManMachine
2. Planet of Visions
3. Numbers
4. ComputerWorld
5. TDF03 - L’Etape 2 (Tour de France)
6. Autobahn
7. Model (ComputerLove)
8. Les Mannequins
9. Radioactivity
10. Tee
11. Robots
12. Aerodynamik
13. Musique Non Stop
A espera foi terrível. Horas no meio da multidão, horas sem mijar, a boca seca, as pernas mortas, a lombar já nas cucuias.
A banda entrou e sem oi mandou ver na primeira música, ‘15 step’. E näo precisava mais nada para conquistar o público. Com toda sua estranheza, Thom Yorke e suas dancinhas conquistam a platéia de cara.
A produção do palco era um megaespetáculo. Tubos de luz espalhados ao fundo faziam efeitos fantásticos e diversos, como a “chuva” ao fim de ‘Paranoid Android’ (…raaaaaain down…).
Os telões ao fundo tinham uma definição ótima e exibiam câmeras próximas de cada um dos músicos, com detalhes de suas feições. O ponto alto do efeito foi em ‘You and Whose Army?’, com um close no olhar torto do cantor, com direito a piadas com a sombrancelha.
Falando no Thom, ele canta muito, desde seus grunhidos até seus falsetes.
O som estava com uma boa qualidade, mas acho que deveria ser mais alto (apesar de realmente ter sido aumentado o volume após os Hermanos). Deve ter a ver com o fato que não existiam mais caixas de som pelo terreno.
O show foi muito mais longo do que eu esperava, duas horas e meia, com três bis.
As 26 músicas de Sampa (saiu daqui):
01 15 Step (In Rainbows)
02 There There (Hail To The Thief)
03 The National Anthem (Kid A)
04 All I Need (In Rainbows)
05 Pyramid Song (Amnesiac)
06 Karma Police (Ok Computer)
07 Nude (In Rainbows)
08 Weird Fishes/Arpeggi (In Rainbows)
09 The Gloaming (Hail To The Thief)
10 Talk Show Host (B-side - Trilha Sonora do filme Romeu e Julieta)
11 Optimistic (Kid A)
12 Faust Arp (In Rainbows)
13 Jigsaw Falling Into Place (In Rainbows)
14 Idioteque (Kid A)
15 Climbing Up The Walls (Ok Computer)
16 Exit Music (For A Film) (Ok Computer)
17 Bodysnatchers (In Rainbows)
Encore 1
18 Videotape (In Rainbows)
19 Paranoid Android (Ok Computer)
20 Fake Plastic Trees (The Bends)
21 Lucky (Ok Computer)
22 Reckoner (In Rainbows)
Encore 2
23 House of Cards (In Rainbows)
24 You and Whose Army (Amnesiac)
25 True Love Waits (I Might Be Wrong)/Everything In Its Right Place (KidA)
Encore 3
26 Creep (Pablo Honey)
Baita set.
O último álbum, o ‘In Rainbows’, foi tocado na íntegra, o que já seria uma maravilha.
Alguns acham que por ser o primeiro show, deveriam ter mais músicas da fase inicial, do Pablo Honey ao OK Computer. Seria lindo, mas acho que não encaixariam. Mas nada contra se tocassem ‘Let Down’ >:T
A banda parecia estar gostando de tocar, o até Colin dava pulinhos (ou será que é sempre assim?).
Maravilhoso quando, após o fim do hino ‘Paranoid Android’, a platéia reiniciou o coro da segunda voz e o Thom improvisou no violão. Saca no vídeo:
Gostei muito de ‘All I Need’ , ‘Idioteque’, ‘Fake Plastic Trees’ e ‘ Lucky’ , além das óbvias como ´Karma Police`.
‘Karma Police’ foi de dar arrepios (ui):
Mas eu me empolgaria muito mais com o show num lugar fechado, para mil pessoas, som explodindo.
Mas, claro, show da minha vida so far :]
JUST A FEST
Como é comum nos festivais, alguns graves problemas de organização (já deu pra perceber que eu NÃO gosto de festivais?). No ínicio, comecei até impressionado, com a equipe de limpeza, com a pontualidade dos shows. Logo, percebi os problemas. A começar pelos banheiros químicos, eram poucos e sujos. A quantidade de bares e caixas para 30 mil pessoas era rídicula (parece que acabou o rango bem antes do fim do evento). O problema já dito do palco baixo, volume baixo. Os telões deram pane nas primeiras 5 músicas do show principal.
Mas o pior veio na saída.
TODO MUNDO saiu pelo mesmo lugar. Havia apenas um único lugar e esse era cruzando um lamaçal. Olhava ao redor, uns 4 pontos com o cartaz ´Saída de Emergência´, porém fechadas. O público saiu esmagado num afunilamento, parecendo gado. Pra piorar, não havia nenhum planejamento para o povo todo ir embora. Ônibus já eram escassos, sobrava táxi. Pras 30 mil pessoas.
Eu só consegui um após quase 3h de batalha.
Outro detalhe: os moradores das proximidades da Chácara do Jockey ganham ingressos. Provavelmente para não reclamar de barulho/confusão. Esses eram os ingressos que muitos cambistas vendiam. E esse é o ingresso que o PG comprou e teve que usar toda sua lábia na entrada, para explicar por que não sabia onde morava…
5 Comments
Subscribe to the Comments
adorei o post e pelo visto não existem festivais (pelo menos no brasil) sem falhas bastante graves. o pessoal simplesmente não se coordena. em são paulo sempre rola esse stress com o som. não poder ser TÃO difícil assim entender que precisa de MUITAS caixas de som num lugar ABERTO.
compartilho a desconfiança com essas bandas que só apertam botões ou talvez nem isso, jamais saberemos :T
e mesmo sem ter escutado já pareceu estranho alguém gritar “viva a alegria”, é tipo WTF? isso que amo eles, né…
do radiohead não sei o que falar, só que talvez tu ainda consiga ver eles de novo lá no velho continente e de repente até num lugar fechado e com o som explodindo. não custa sonhar ;]
deve ser coisa da nova atitude low profile do amarante :/
e espero que se concretize a última parte, chega lá tambem :D
No Rio, teve metrô até a 1h pro pessoal que tava no festival =) espero que esse horário seja o motivo de meia a hora a menos de show =T Mas, claro, show da minha vida so far =D~
acho que faltou uma coisa no show.
vergonhoso perder.. obs: no rio foi melhor
Trackbacks / Pingbacks
show trackbacks